13/10/2012

Pesadelo cômico - por Gabriela Neves

Estava eu, - no pior dia da minha existência- numa loja de roupas íntimas. Isso aconteceu, depois de minha mãe, ter insistido para que eu comprasse novas calçinhas e sutiãs, que segundo ela, as minhas estavam um tanto gastas.

Ela me acompanhou à loja, e logo na entrada, havia uma vendedora ávida por novos clientes. Mamãe ficou fascinada pela qualidade dos tecidos, e fica pegando calçinhas e mais calçinhas, dizendo:

- Veja Luiza, essa aqui é a sua cara! Mas, se bem que você tem uma parecida, não?! Aquela, com os dias da semana gravados no bumbum...

A vendedora sorria, com uma simpatia forçada. Eu comecei a ficar vermelha. Minha mãe atraia olhares dos curiosos que passavam pela gente, mas não tinha escrúpulo algum. Punha-se a dizer:

-Venha cá “Izinha”, deixa a mamãe ver se te serve!- Ela segurava um sutiã na mão, que por sinal tinha muita rendas e babados.

Nesse momento, percebi quem estava ali. Pedrinho, o gatinho loiro, de olhos azuis que estudava no meu colégio. Era o fim!

Minha mãe continuava me chamando e insistindo para que eu experimentasse o maldito sutiã. Pedrinho sorriu e me cumprimentou. ”Meu Deus, o que eu vou fazer?”, pensei.

Cheguei perto da mamãe, e ela colocou o sutiã por cima da minha roupa, e falou para a vendedora:

-Ih, você não tem um tamanho maior? Sabe, os seios dela cresceram um pouco. Isso é bom... Pelo menos, ela não precisará mais ficar enchendo o sutiã com papel higiênico, não é filha? Igual você fez naquela feijoada que teve na casa da dona Joana, você se lembra, Luiza? -e ela ria da lembrança de ter me encontrado colocando papel por debaixo da blusa.

Nisso, Joãozinho passou por mim, me dando um “tchauzinho” com a mão, como um gesto de solidariedade.

Queria desaparecer, tipo PUF! . Infelizmente isso não aconteceu. Estava quase cavando um buraco com as minhas próprias unhas, não sabia onde eu enfiava minha cara que estava vermelha, de tanta vergonha. O que me restava, era rezar para tudo aquilo não ter passado de um terrível pesadelo.


Por: Gabriela de Oliveira Neves
gabi_forevers2@yahoo.com.br

1 comentários:

Daiane Rocha disse...

Achei legal e engraçado o texto,pois isso acontece no cotidiano de varias garotas.
(Infelizmente para elas kkkkkkkkk)

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